Amor no tempo do feminino: desejo que floresce com presença

Neste mês de junho, período em que tanto se fala de amor, trago um convite para olharmos além das flores, dos presentes e dos gestos ensaiados. A refletir sobre o que realmente sustenta um vínculo, especialmente quando falamos do amor que toca o corpo, o desejo, a intimidade. Porque amar de verdade também é caminho de muitas curas.

No consultório, escuto mulheres que perderam a conexão com o próprio desejo. Não porque o corpo envelheceu ou porque os hormônios mudaram, mas porque o olhar e o contexto que as envolve se tornou raso, impaciente.
E também porque, muitas vezes, elas mesmas se distanciaram do próprio sentir, tentando dar conta de expectativas que não conversam com a sua verdade interior.

O feminino tem o seu próprio tempo, seus ciclos, seus movimentos e retração e expansão. O desejo, quando nasce de um corpo que se sente visto, respeitado e acolhido, brota e floresce com mais verdade. Porque ele não obedece ao relógio externo, mas ao compasso da alma.

Que neste junho, e em todo o ano, a gente possa lembrar que o amor mais bonito é o que entende o corpo como templo valioso, que o desejo só se abre quando o coração sente segurança, e que amor é aquele que tem presença.

Que a gente saiba, cada vez mais, amar assim.