A partir dos 40 anos, é comum que as mulheres comecem a perceber alterações na pele. Mesmo aquelas que nunca lidaram com acne na juventude podem apresentar espinhas internas, doloridas, que surgem especialmente no queixo, mandíbula e pescoço que, muitas vezes, não respondem aos cuidados cosméticos habituais.
Esse padrão, também chamado de acne hormonal da mulher adulta, não acontece por acaso, e geralmente representa um sinal de que algo mais profundo está pedindo escuta.
O que muda no corpo feminino após os 40?
A partir do climatério (transição que pode começar já por volta dos 42 anos), há uma progressiva queda nos níveis de estrogênio e uma tendência ao aumento relativo dos andrógenos, especialmente quando há predisposição à resistência à insulina ou síndrome dos ovários policísticos (SOP). Esses desequilíbrios favorecem o aumento da oleosidade e da inflamação local, contribuindo para o surgimento da acne.
Além disso, nessa fase da vida o organismo feminino passa por alterações importantes no metabolismo, na função intestinal, no ritmo de desintoxicação hepática e na sensibilidade ao estresse. E a pele expressa o que o corpo não consegue metabolizar.
Na medicina integrativa e na Antroposofia, entendemos que a pele reflete o que não foi processado por dentro, tanto no plano físico quanto emocional. Por isso, ela está intimamente ligada a dois órgãos fundamentais: o fígado (que metaboliza hormônios, toxinas e emoções densas) e o intestino (que regula a absorção e a eliminação, além de ser o lar de uma parte essencial do nosso sistema imunológico).
Se o fígado está sobrecarregado por alimentação inflamatória, estresse crônico, histórico de uso prolongado de hormônios sintéticos ou exposição a toxinas ambientais, ele pode não dar conta de processar o excesso de estrogênio e de andrógenos circulantes. Esse desequilíbrio impacta a pele, que tenta compensar por vias inflamatórias.
Já o intestino, quando disfuncional, pode contribuir para disbiose, aumento da permeabilidade intestinal (“intestino permeável”) e inflamação sistêmica – todos fatores que impactam diretamente na saúde da pele.
Além dos cremes
Cuidar da acne nessa etapa é muito mais do que trocar de sabonete ou cosmético. É olhar para dentro.
Veja, a seguir, algumas abordagens que costumamos considerar nas consultas:
- Avaliação do perfil hormonal completo, incluindo andrógenos, estrogênios, insulina e cortisol
- Análise de função hepática e intestinal, com apoio fitoterápico e/ou homeopático quando necessário
- Orientações alimentares com foco em anti-inflamatórios naturais, reduzindo ingestão de alimentos processados, laticínios e açúcares simples
- Identificação de gatilhos emocionais e padrões de tensão interna
- Suporte com suplementos ou tratamentos naturais que apoiem o fígado e promovam equilíbrio hormonal
- Compreensão sobre o ciclo menstrual e o momento biográfico em que a mulher se encontra
Convite ao reequilíbrio
A acne depois dos 40 pode ser desconfortável, mas também é um convite para uma transformação necessária e libertadora. Um chamado do corpo para reorganizar ritmos, digerir o que ficou acumulado, reencontrar o caminho do equilíbrio.
Lembre que quando qualquer órgão do corpo se inflama, ele não está “contra” você, e sim tentando manifestar aquilo que ainda não teve espaço para ser processado. Na escuta sensível do feminino, cada sintoma é um recado.



