À medida que o ano se encerra, aproximamo-nos de um período especialmente significativo dentro da Antroposofia. É um tempo em que a vida nos convida a desacelerar, a fazer silêncio e a voltar o olhar para dentro, reconhecendo aquilo que, mesmo de forma sutil, nos pede para nascer internamente.
Esse movimento se inicia no Advento, que prepara lentamente o terreno para o Natal e para as chamadas Noites Santas. Em cada uma das quatro semanas que se seguem, somos conduzidas simbolicamente por diferentes reinos da criação: primeiro o mineral, depois o vegetal, o animal e, por fim, o humano. É como se, passo a passo, fôssemos lembradas do nosso próprio lugar no mundo, das forças que nos sustentam e da delicadeza que envolve o processo de nos tornarmos quem somos.
A partir do dia 25 de dezembro, tem início a vivência das 13 Noites Santas, um verdadeiro portal de acesso ao espiritual. Período que pede um movimento de profunda introspecção, importante é nos colocar em um estado de quietude e atenção. Assim, podemos perceber sonhos, imagens, intuições e pequenos sinais que, de maneira simbólica, dialogam com os meses do ano que está por vir.
Pratico as Noites Santas desde 2016, e posso dizer que se tornaram uma das formas mais bonitas e verdadeiras de me orientar para o ciclo que começa. Não como quem busca previsões, mas como um espelho, um espaço de escuta que revela quais questões internas pedem cuidado, quais desafios podem surgir no caminho e quais qualidades precisam ser cultivadas com mais intenção.
Para nós, mulheres, que tantas vezes atravessamos o ano inteiras focadas em algum tipo de cuidar, esse período pode ser um convite amoroso para voltarmos a atenção a nós mesmas. Para permitir que o silêncio e a pausa nos reconectem com aquilo que realmente importa, nossa essência. Um rito simples, acessível e profundamente transformador, justamente porque nos devolvem a nós mesmas.
Neste Natal, talvez você possa se abrir a essa experiência interior, seja numa pequena meditação, registrando um sonho, acolhendo o que o corpo tem mostrado. São movimentos discretos, que, quando reunidos, criam um vínculo delicado e verdadeiro com o sagrado que vive em cada uma de nós, iluminando caminhos e abrindo espaço para o novo que deseja chegar.


