Entre os 7 e os 14 anos de idade, vivemos um momento profundo de transformação. É o que a Antroposofia chama de segundo setênio, uma fase em que o corpo começa a se moldar para a puberdade, mas a alma ainda habita um mundo profundamente imagético e simbólico.
É a parte torácica que que está se desenvolvendo nesse momento, onde está o coração, nosso centro rítmico, que aprende e entende através de imagens, histórias e gestos amorosos. Por isso, a melhor maneira de abordar a menarca não é com explicações científicas ou linguagem técnica, mas com narrativas que se conectem com a alma.
Contos, metáforas e simbologias são caminhos bem mais efetivos para tocar o que está nascendo dentro de uma menina que vive essa travessia. Quando antecipamos esse processo com discursos racionalizados e didáticos, como costumam fazer muitos médicos e profissionais da saúde, podemos plantar medo, confusão ou desconexão. Mas quando respeitamos o tempo da alma, criamos espaço para que ela viva a menarca como um importante rito de passagem, o início de uma nova fase em todas as esferas de desenvolvimento.
3 livros que indico sobre a menarca
Se você é mãe ou cuidadora de uma menina que está prestes a viver ou recém passou pela primeira menstruação, priorize a comunicação lúdica e afetiva. Traga imagens poéticas e confie no processo.
Abaixo, compartilho 3 livros que recomendo, tanto para adultos quanto para as meninas:
1) Margarida e o Jardim Florido, de Vivian Victor
A história de Margarida traz a imagem de um jardim que floresce revelando com delicadeza a chegada do ciclo menstrual. Uma leitura que permite à menina imaginar seu corpo como parte da natureza, com ritmos, estações e sabedorias que se desabrocham.
2) A Menina que Virou Lua, de Morena Cardoso
Esse conto simbólico narra a jornada de uma menina que começa a perceber mudanças em seu corpo e alma, acompanhadas silenciosamente pela presença da lua. Com linguagem poética e imagens potentes, é um convite para compreender a menstruação como algo sagrado e natural.
3) A Lua de Alice, de Carol Petrolini
Alice percebe que seu corpo está mudando, e, com a ajuda da avó, começa a entender os ciclos femininos. Uma história que transmite confiança, mostrando que a menarca pode ser vivida com leveza, escuta e encantamento, ao mesmo tempo em que pode abrir lindas conversas entre mães e filhas, trazendo à tona memórias e curas transgeracionais.
Compartilhe com quem acompanha essa fase tão delicada e essencial do feminino para que possamos permitir que nossas meninas floresçam com segurança e leveza, no corpo e no coração.


